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Imposto volta a pesar e carros elétricos e híbridos montados no Brasil podem ficar mais caros

Fim dos incentivos expõe disputa entre montadoras e pode pesar no bolso de quem pretende comprar um carro elétrico ou híbrido.
Por Redação2026-02-044 minutos de leitura
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Imposto volta a pesar e carros elétricos e híbridos montados no Brasil podem ficar mais caros.
Imagem: Reprodução

O fim da isenção do imposto de importação para kits de veículos elétricos e híbridos montados no Brasil passou a valer em 31 de janeiro de 2026 e já começa a mudar o cenário do setor automotivo. A medida estava em vigor desde agosto de 2025 e ajudava montadoras que ainda não tinham fábricas totalmente prontas no país, mas que já atuavam por aqui montando veículos a partir de peças importadas.

Esse modelo beneficiava empresas que trabalham nos regimes CKD, quando o carro vem totalmente desmontado, e SKD, quando ele chega parcialmente montado. Entre as principais marcas que usavam esse formato estão a chinesa BYD e a GWM.

Com o fim da isenção, esses veículos voltam a seguir o cronograma de impostos definido pelo governo federal. Hoje, a taxa é de 16% para CKD e 18% para SKD, mas a previsão é que esse percentual aumente aos poucos até chegar a 35% em janeiro de 2027, o mesmo imposto cobrado de carros importados já prontos.

Por que essa isenção existia

A isenção foi criada como uma forma de atrair novas montadoras para o Brasil. A ideia era permitir que essas empresas começassem a vender seus carros enquanto finalizavam a construção de fábricas e estruturavam suas operações no país. Assim, elas poderiam testar o mercado, gerar empregos iniciais e se preparar para uma produção mais completa no futuro.

Durante esse período, os carros eram montados em território nacional, mas com a maior parte das peças vinda de fora. Para o governo, isso seria apenas uma fase temporária até que a fabricação ganhasse mais conteúdo nacional.

Pressão das montadoras tradicionais pesou na decisão

A isenção não foi renovada principalmente por causa da pressão da indústria nacional. A Anfavea, que representa montadoras já instaladas no Brasil há décadas, como Volkswagen, GM e Toyota, argumentou que o incentivo criava uma concorrência desigual.

Segundo a associação, permitir apenas a montagem de peças importadas, sem exigir o uso de componentes fabricados no Brasil, pode gerar impactos negativos na economia. A Anfavea chegou a estimar a perda de até 69 mil empregos e prejuízos que poderiam ultrapassar R$ 100 bilhões ao longo do tempo.

Além disso, nenhuma montadora apresentou um pedido formal à Camex solicitando a prorrogação do benefício. Sem essa solicitação, o governo manteve o calendário original de aumento dos impostos.

Visões diferentes sobre o futuro do mercado

Do lado das montadoras chinesas, o discurso é outro. A BYD, por exemplo, afirma que sua presença no Brasil traz novas tecnologias, inovação e preços mais acessíveis. Para a empresa, a resistência das marcas tradicionais está ligada ao receio de perder espaço em um mercado que passa por rápidas mudanças, especialmente com o crescimento dos carros elétricos.

A marca também reforça que seu plano não é ficar apenas na montagem. A intenção é avançar para uma produção mais completa, com mais peças feitas no Brasil, já a partir de 2026.

O que muda para quem quer comprar um carro elétrico

Para o consumidor, o impacto mais direto pode ser sentido no preço dos veículos. Com a volta do imposto, o custo de produção aumenta, e parte desse valor tende a chegar ao bolso de quem compra.

Mesmo assim, as montadoras buscam alternativas para reduzir esse impacto. A GWM, por exemplo, afirma que já utiliza fornecedores brasileiros e realiza etapas como a pintura dos veículos no país. Isso pode ajudar a segurar os preços e manter os modelos competitivos.

No médio prazo, a expectativa é que, com fábricas em funcionamento e maior produção local, o mercado se ajuste. Até lá, quem acompanha o setor deve ficar atento às mudanças, já que o preço dos carros elétricos e híbridos pode variar nos próximos meses.

BYD Brasil carros elétricos imposto de importação indústria automotiva veículos híbridos
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