A operadora Singtel anunciou oficialmente sua chegada ao mercado brasileiro nesta semana. Com sede em Singapura, a empresa já atua em 22 países e soma mais de 820 milhões de clientes em toda a Ásia. A entrada no Brasil faz parte de um plano maior de expansão global, com foco em empresas que precisam de soluções modernas de conectividade e integração entre diferentes regiões do mundo.
No país, a Singtel quer atender principalmente clientes internacionais que já operam no Brasil, além de ajudar empresas brasileiras que desejam levar seus negócios para o sudeste asiático. A ideia é facilitar essa conexão entre mercados, oferecendo uma estrutura de comunicação mais simples, segura e eficiente.
Foco em grandes empresas e operações globais
A atuação inicial da Singtel no Brasil será voltada para grandes empresas dos setores de agricultura, mineração e finanças. Esses segmentos costumam lidar com operações complexas, muitas vezes espalhadas por vários países, e precisam de redes confiáveis para manter tudo funcionando sem interrupções.
De acordo com o executivo Keith Leong, a prioridade é dar suporte a clientes que já possuem contratos internacionais. Um exemplo citado é a Nestlé, que atua como cliente de referência da empresa na região. A multinacional passa por um processo de modernização em cinco fábricas, preparando suas redes para trabalhar em conjunto com soluções de inteligência artificial e melhorar a eficiência das operações.
No Brasil, a Singtel não vai oferecer planos de celular para o público em geral. A atuação será exclusiva no mercado corporativo. A empresa também não pretende construir infraestrutura própria, como antenas ou cabos. Em vez disso, vai trabalhar em parceria com empresas locais, atuando como integradora de serviços de conectividade.
Soluções digitais e parcerias locais
O principal serviço oferecido pela Singtel é a plataforma CUBE, que funciona por assinatura. A proposta é simples: entregar uma rede completa como serviço, com inteligência artificial integrada, facilitando o dia a dia das empresas. A solução reúne recursos como SD-WAN, conexão com serviços em nuvem e ferramentas de segurança digital, tudo em um único ambiente.
Além disso, a empresa oferece o AI Studio, voltado para a criação de agentes digitais, e a plataforma Paragon, usada para organizar e controlar redes que funcionam mais próximas do usuário final. Essas ferramentas ajudam empresas a lidar melhor com grandes volumes de dados e a tomar decisões mais rápidas.
Para tornar a operação possível no Brasil, a Singtel já conta com parceiros estratégicos. Entre eles estão a IG Networks, da Argentina, responsável por serviços de rede física, e a Orchest, que atua na área de automação. A empresa informou que segue em busca de novos parceiros locais para ampliar sua presença no país.
Por enquanto, a Singtel descarta a oferta de serviços para consumidores comuns, a atuação como operadora móvel virtual ou o lançamento de redes celulares privativas. O objetivo principal é fortalecer a marca no mercado brasileiro, criar uma base sólida de clientes corporativos e estruturar bem a operação.
Como próximos passos, a empresa planeja abrir um escritório físico em um espaço compartilhado até o final do ano e contratar uma equipe local de vendas. Somente após essa fase de consolidação é que a Singtel deve avaliar uma possível expansão para outros países da América Latina ou novos modelos de negócio.
